O que muda no seu bolso se as propostas de Flávio Bolsonaro ou de Lula virarem realidade? Lemos os planos oficiais dos dois e fizemos as contas para cada faixa de salário.
Flávio Bolsonaro (PL)Lula (PT)
Como fizemos, em poucas palavras
Lemos só o documento oficial. Cada candidato é obrigado a entregar seu plano de governo à Justiça Eleitoral (TSE). Usamos só esse documento, não o que foi dito em entrevistas, debates ou redes sociais.
Separamos o que tem chance de acontecer. Muita proposta depende de aprovação de deputados e senadores, e nem todas passam. Só contamos as que têm mais de 25% de chance (pelo menos 1 em 4) de virar realidade até 2030. Quanto menor a chance, menos ela pesa na conta.
Contamos só o que é novo. O que já existe hoje (como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6x1, já aprovado) fica igual para os dois e não entra na conta.
Medimos o dinheiro que sobra no bolso. Somamos o que a pessoa ganharia (salário maior, imposto menor, conta de luz mais barata) e tiramos o que ela perderia (imposto maior, desconto que acaba). É a mesma forma de medir usada pelo Banco Mundial.
Isto é uma estimativa, não uma previsão. Não é recomendação de voto.
A resposta curta
Na prática, empate
Pelo que está escrito nos planos, nenhum dos dois muda muito o dinheiro no bolso da maioria das pessoas.
Por que muda tão pouco?
As mudanças grandes dos últimos anos, como a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e o fim da escala 6x1, já foram aprovadas. Como já valem, não contam como promessa nova.
Os dois planos têm mais intenções ("vamos melhorar", "vamos fortalecer") do que medidas com valores. Sem valor, não dá para fazer conta.
Cada proposta pesa de acordo com a chance de ser aprovada. Uma proposta com 40% de chance pesa menos da metade.
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Quanto a vida melhora em cada faixa de renda
Quanto o dinheiro no bolso aumenta (barra para cima) ou diminui (barra para baixo), já descontando o que a pessoa perderia.
Em todas as faixas, a mudança é menor que 1%. Para comparar: 1% de um salário mínimo são R$ 16 por mês.
O que pesa para cada candidato
Flávio propõe baixar impostos da gasolina, do diesel e da conta de luz, e baixar o imposto que as empresas pagam sobre salários. Isso ajuda mais a classe média. Para quem ganha até 1 salário mínimo, o ganho quase some, porque ele também propõe acabar com descontos de imposto em alguns produtos, que ficariam mais caros. Quem ganha acima de R$ 50 mil perde por causa do corte de supersalários no serviço público.
Lula propõe um pagamento mínimo para motoristas e entregadores de aplicativo, mas também que eles passem a contribuir para o INSS. Uma coisa praticamente cancela a outra no bolso. O resto vem de crédito mais barato para agricultores e de mais ajuda para estudantes, com um aumento pequeno de imposto sobre cigarro, bebida alcoólica e refrigerante.
Quem paga a conta?
Pense num condomínio. Se o síndico baixa a taxa de alguns moradores, falta dinheiro no caixa. Para fechar a conta, ele corta algum serviço, aumenta outra cobrança ou faz uma dívida. No fim, quem paga são os próprios moradores.
Com o governo é igual. Quando ele baixa um imposto, arrecada menos, e essa diferença acaba saindo do bolso de todos de alguma forma. Quando cria uma cobrança nova, entra dinheiro a mais. Veja como fica a conta se esse custo (ou essa sobra) for dividido entre todos, cada um de acordo com o que ganha:
De onde vêm os números
As propostas que entraram na conta
Clique em "o que diz o plano" para ler o trecho original e a página do documento entregue ao TSE. Propostas marcadas "serviço" (saúde, moradia, creche) não viram dinheiro direto no bolso e por isso não entram no resultado principal.
O que ficou de fora e por quê
Lemos os planos inteiros. Estas propostas não entraram na conta.
Palavras que aparecem aqui
Plano de governo
Documento que todo candidato a presidente entrega à Justiça Eleitoral dizendo o que pretende fazer.
TSE
Tribunal Superior Eleitoral, que organiza as eleições e publica os planos dos candidatos.
Congresso
Câmara dos Deputados (513) e Senado (81). Aprovam ou rejeitam as leis que o presidente propõe.
Mudar a Constituição (PEC)
O tipo de mudança mais difícil: precisa de 3 em cada 5 deputados e senadores.
IVA
O novo imposto que já vem embutido no preço de quase tudo que você compra, criado pela reforma tributária.
Salário mínimo
R$ 1.621 por mês em 2026.
Detalhes técnicos e fontes (para quem quer conferir)
Documentos:plano do PL (76 p.) e plano do PT (84 p.), registrados em 14/08/2026, sem versão nova para o 2º turno.
Indicador: variação % da renda disponível real da mediana de cada faixa, por microssimulação estática (metodologia CEQ/Banco Mundial; IFS; OCDE). Saúde, educação e moradia (in-kind) só no cenário de renda final.
Probabilidade: condicional à vitória do candidato, considerando o Congresso eleito em 2026, o quórum exigido (lei ordinária, lei complementar 257/41, PEC 308/49), o arcabouço fiscal e precedentes. Níveis: provável >60%, possível 40–60%, incerto 25–40%. Impacto esperado = impacto × probabilidade.
Linha de base: legislação vigente em 18/10/2026, incluindo Lei 15.270/2025 (IR), EC 141/2026 (fim da 6x1), Lei 15.327/2026 (descontos associativos no INSS) e decisão do STF de 25/03/2026 sobre penduricalhos.
Dados: PNAD Contínua 2025 (143 mi de pessoas com rendimento de todas as fontes, distribuição por faixa estimada); POF 2017-18 para padrões de gasto. Análise estática, sem efeitos sobre emprego, juros ou inflação geral.
Incerteza e cenário pleno:
Revisão: o cálculo passou por duas revisões independentes, cada uma procurando erros a favor de um candidato. As correções foram aplicadas com a mesma régua para os dois.